Dia Interminável…

Existem dias que parecem intermináveis. Outros passam como um relâmpago. Assim como vêem, vão de nossa memória e para sempre desaparecem. Ficam algumas recordações, quase tudo se apaga.

Imagine fechar os olhos e tentar lembrar de todo seu dia anterior, num exercício desgastante de memória. Cada detalhe, cada segundo. Tudo. Recordar demoraria exatamente o mesmo tempo do dia anterior. E ao final, o novo dia acabaria, e você teria percorrido o passado no presente. Claro, você também teria perdido o dia presente, recordando o dia passado. E se fizéssemos a mesma coisa no dia seguinte?

Um dia interminável.

Nessa foto tirada por dois fotógrafos suíços Schulthess e Spühler, no entanto, “dia interminável” tem outro sentido. A foto foi tirada na Noruega, próximo ao pólo norte, onde ocorre o “sol da meia noite”, quando o Sol não se põe durante pelo menos 95 horas seguidas.

Para mim a jornada do sol tem outro significado: uma montanha russa, uma onda. Com seus altos e baixos, picos e depressões.  Como um andarilho que procura seu caminho, sempre voltando ao ponto de partida, para então perceber que tudo não passou de um deja vu.

O processo de criação e realização do Temporão desenhou suas curvas por 2010 dessa mesma forma. Tortamente, as vezes toscamente… chegando ao fundo das esperanças e das expectativas. Frustrações, seguidas de superações. Não poderia ter sido diferente. O filme trata disso. Talvez não tivesse um resultado tão sincero se não sofresse as negativas.

O estilo do documentário foi modificado, seu orçamento foi modificado, sua produção e equipe também se modificaram. Até mesmo o tema se modificou… e então descobrimos (ou pelo menos eu) que o deja vu não era a mesma coisa. Já não era uma repetição. Havia sofrido mudanças também. Minha sensação não era mais a mesma.

Tentando entender, descobrir, desvendar a sensação foi aos poucos escapando de mim. Como quem tenta lembrar-se do dia anterior, e se esquece de viver o dia presente.

Uma passagem do livro Natureza Selvagem (muito bom por sinal, melhor ainda que o ótimo filme) me convidou a escrever esse texto, pois quando a li, lembrei dessa foto e também da cena final do Temporão:

“Um vasto silencio reinava sobre a terra. A própria terra era uma desolação, sem vida, sem movimento, tão solitária e fria que seu espírito não era nem mesmo o da tristeza. Havia um laivo de riso nela, mas de um riso mais terrível que qualquer tristeza – um riso que era tão sombrio quanto o sorriso da Esfinge, um riso tão frio quanto o gelo e compartilhando a severidade da infabilidade. Era a imperiosa e incomunicável sabedoria da eternidade rindo da futilidade da vida e do esforço de viver: Era a Natureza, a selvagem, a de coração gélido, a Natureza das Terras do Norte.” – Jack London

~ por felipecarrelli em 25/02/2011.

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